Identificando os tipos de erosão.


Hoje à tarde recebemos mais uma pergunta: Como podemos identificar os tipos de erosão? A pergunta foi enviada pelo filho do proprietário rural José da Silva Gomes.

            É muito importante a identificação da fase em que se encontra a erosão. Uma erosão laminar (começo) é muito difícil de ser identificada, mas coma experiência no assunto se torna mais fácil. A erosão laminar é aquele que acontece primeiramente e que arrasta certa quantidade de solo para outro lugar. A seguir temos uma imagem que nos da uma idéia de como a erosão laminar pode ser. 


          Se a erosão laminar não for controlada, ela passa para um outro estágio chamado de erosão em sulco. Essa erosão carrega maior quantidade de solo que a anterior, e há a formação de pequenas valetas, por onde a água começa a escoar. Na segunda imagem temos uma idéia de como pode ser essa erosão em sulco.

A erosão quando evolui passa para o estágio de voçoroca, que é na verdade a formação de um grande buraco formado na terra. Nessa fase, temos uma grande perda de solo como visto na figura abaixo. 


Amigos, é muito importante o controle da erosão desde o início, pois com o passar do tempo essa erosão a princípio pequena pode tomar grandes dimensões, perdendo solo e área produtiva, além de que sua recuperação se torna muito mais cara.

A equipe do Conservando o solo agradece pela pergunta, e aguardamos as próximas dúvidas a serem esclarecidas! Até a próxima!

Referência:  BERTONI, J.; NETO, F.L.; Conservando o solo, Editora Ícone, ed. 7, São Paulo, 2010. 






O Plantio Direto e a Importância da Rotação de Cultura

Este vídeo destaca os benefícios que os agricultores obtêm utilizando o plantio direto e a rotação de cultura.

Perda de nutrientes do solo. Como isso pode acontecer?


            No programa da rádio Cachoeira “Conservando o solo” deixamos a oportunidade para que nossos queridos amigos da terra pudessem nos enviar perguntas através de nosso Blog. Foram várias perguntas recebidas, as quais estaremos aqui, periodicamente repassando para vocês queridos amigos. 
           Hoje começamos com uma pergunta quem vem lá de Palmitinho, o Pedro gostaria de saber como os nutrientes se perdem no solo, pois ele nos contou que para ele, que não acabou o ensino fundamental, é muito difícil de entender esse processo. Pedro, muito obrigada pela pergunta, e sempre que tiver mais dúvidas nos comunique que estaremos sempre dispostos a lhes ajudar.

O solo é composto com diversos nutrientes como o nitrogênio, que pode ser perdido principalmente  por erosão e por volatilização. Esse nutriente se encontra nas primeiras camadas do solo, por isso durante um processo de erosão, ele é muito perdido. Quando falamos em volatilização usamos esse termo técnico para dizer que o nutriente “evapora” se transforma em gás ou vapor. Isso acontece quando o nitrogênio da matéria orgânica do solo se mineraliza (quando ele passa de uma condição que a planta não absorve para uma situação em que a planta pode absorver esse nutriente) transformando-se em amônia, ou ainda pela adição de fertilizantes.
Outro nutriente é o fósforo, que pode ser perdido principalmente por erosão. Ele se encontra principalmente na matéria orgânica que está nas primeiras camadas de solo, e quando acontece a erosão, ele é perdido. Ainda podemos citar o potássio, que depois do fósforo é o mais consumido pela agricultura brasileira como fertilizante. O potássio é perdido quando as plantas o absorvem de forma inútil, ou seja a mais do que precisam e ainda por lixiviação através de drenagem, nos solos minerais.
Pedro, aí estão alguns exemplos de como os nutrientes podem ser perdidos no solo. Espero ter ajudado e até uma próxima.

Referência: RIBEIRO, D.O.; VILELA, L.A.F.; Nutrientes do solo, outubro de 2007, Mineiros- GO. 

A Prática do Plantio Direto

      Falar em plantio direto nos remete a pensar como um passo gigantesco na evolução do preparo do solo, um marco muito importante na agricultura. Atualmente essa prática é bastante difundida no Brasil, graças ao grande empenho de profissionais na área, de instituições de pesquisa, universidades, que mensuram toda universalidade da prática.


   O sistema de plantio direto consiste em manter o solo sempre coberto, para isso, deixam-se restos culturais da última cultura sobre o solo. Isso confere ao solo uma imensa proteção contra a ação da gota da chuva, que vai desagregando o solo e consequentemente causando erosão. Além disso, toda matéria orgânica acumulada sobre o solo, proporciona uma melhor ciclagem dos nutrientes, nutrição dos microorganismos do solo - favorecendo a atividade biológica do solo -, não se tem grandes oscilações de temperatura no solo durante o dia e a noite, pois a palhada funciona como um isolante térmico.


  Por fim o plantio direto associado a rotação de culturas e adubação verde, pode ainda maximizar os benefícios que pode ser obtido com o sistema; tendo um importante papel na disponibilidade de nutrientes, através da decomposição do material orgânico - que por sua vez tem variedade, devido à rotação, garantindo diferentes nutrientes num espaço de tempo -, um maior controle biológico de fungos, nematóides e pragas.

   A cultura permanente do solo e a adubação verde são práticas essenciais para a estabilidade da produção.
 

Referências para o seu aprofundamento:


PRIMAVESI, ANA; Manejo Ecológico do Solo: a agricultura em regiões tropicais – São Paulo: Nobel, 2002, pág. 366 a 375.

SBCS (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CIÊNCIA DO SOLO); Tópicos em Ciência do Solo.  Sistema de Plantio Direto: evolução e implicações sobre a conservação do solo e água; Viçosa – MG; Vol. 1, 2007, pág. 333 a 369.



FORMAÇÃO DE VOÇOROCAS

Solos com vegetação escassa que não mais protege o solo, tornam-se cascalhentos e suscetíveis de carregamento por enxurradas, geralmente estão associados ao uso inadequado do solo, ao substrato geológico, ao tipo de solo, às características climáticas, hidrológicas e ao relevo. O desenvolvimento das ravinas e voçorocas descrito na literatura brasileira é geralmente atribuído a mudanças ambientais induzidas pelas atividades humanas.

Erosões do tipo voçorocas podem chegar a vários metros de comprimento e de profundidade, devido ao fluxo de água que é possibilitado em seu interior, causando uma grande movimentação de partículas. Algumas voçorocas podem chegar até mesmo ao nível do  lençol freático do local onde ocorrem.

PREVENÇÃO
A melhor forma de combate ao problema da erosão é a prevenção. As medidas preventivas consistem da adoção de um planejamento prévio em qualquer atividade ligada ao uso do solo. O objetivo desse planejamento é dividir a propriedade de acordo com sua aptidão agrícola de maneira que se logre a melhor utilização possível dessas. Métodos conservacionistas são os mais indicados, sendo mais utilizados aqueles que empregam rotações de cultura, cultura em faixas, culturas de cobertura e o cultivo em curvas de nível.

METODOLOGIAS PARA CORREÇÃO
A necessidade de controle dos processos erosivos advém da não adoção de medidas preventivas ou da adoção de medidas preventivas inadequadas. É importante destacar que o controle de erosões é geralmente muito mais oneroso que a simples prevenção.
A metodologia escolhida para correção da voçoroca assim como os custos envolvidos no processo irão depender do destino que se pode dar a essas terras atingidas. As seguintes medidas podem ser tomadas:
A.      Aterros transversais: Voçorocas pequenas ou médias, os espaços entre os aterros irão depender do declive das voçorocas, se limita a áreas aonde se deseja reter acima dos aterros a maior parte do deflúvio.
B.      Desvio das águas de superfície: Aplica-se a voçorocas de todos os tamanhos, o escoamento superficial é desviado da cabeceira da voçoroca, deve-se considerar cuidadosamente a evacuação para não produzir novo voçorocamento, sendo assim utiliza-se canal de derivação revestido.
Fonte: Site da Embrapa.
C.      Proteção das Cabeceiras:  Se o terreno for bastante declivoso, e se a bacia alimentadora apresentar áreas de pastagens e matas pode-se utilizar desvio. Deve-se isolar locais de pastagens através de cercas, quando for o caso.
D.     Revestimento Vegetal: Após o isolamento da área, se não houver perturbações, começará aparecer vegetação, a recuperação natural levará bastante tempo até atingir equilíbrio, dependendo das condições ambientais e do solo. Primeiramente surgem as ervas daninhas (mato), essas preparam terreno para o estabelecimento da vegetação natural da região. Quando não ocorrer espontaneamente será necessário estabelecer artificialmente.
E.      Sistematização dos Taludes: Para facilitar o estabelecimento da vegetação as bordas da erosão devem ser rampadas, deste modo em pouco tempo as barrancas serão revestidas.
F.       Isolamento da Área de voçorocas: O isolamento da área do pastoreio de animais com cerca de arame, e a construção de aceiros, contra queimadas, são as primeiras atividades a serem realizadas para que se possa proteger a cobertura vegetal existente e a que futuramente será implantada através da revegetação. A área cercada deve ser maior que a voçoroca, se por exemplo, uma voçoroca tem 3 m de profundidade, a distância da cerca ao bordo mais próximo ao entalhe deve ser de 6 a 8 m, convémd eixar uma distancia maior na cabeceira da voçoroca, pois aí é máximo o perigo de erosão.
Barragem de arrimo (CARVALHO, 2006)
G.     Pequenas Barragens: Quando a voçoroca apresenta uma vala bem definida e com tendência a aprofundar-se é necessário criar varias pequenas barragens em degraus, cujo tipo depende dos materiais disponíveis podendo variar desde estacas de madeira até cimento armado.


REFERÊNCIAS

BIGARRELA, J.J. Estrutura e Origem das paisagens tropicais e subtropicais. Florianópolis: Editora da UFSC, 2003.
http://www.cnpab.embrapa.br/publicacoes/sistemasdeproducao/vocoroca/recuperacao.htm
EROSÃO DO SOLO

De todos os recursos naturais existentes no planeta, o solo é um dos mais instáveis quando modificado, ou seja, quando sua camada protetora é retirada.
Uma vez modificado, para cultivo ou desprovido de sua vegetação originária têm início a erosão, capaz de remover mil vezes mais material do que se este mesmo solo estivesse coberto. Por ano o Brasil perde aproximadamente 500 milhões de toneladas de solos através da erosão.

O que é a Erosão?
É um fenômeno natural provocado pela desagregação de materiais da crosta terrestre pela ação dos agentes exógenos, tais como as chuvas, os ventos, as águas dos rios, entre outros. Essas partículas que compõem o solo são deslocadas de seu local de origem, sendo transportadas para as áreas mais baixas do terreno.
É comum classificar a erosão em quatro grandes grupos: erosão hídrica, erosão eólica, erosão glacial e erosão organogênica. No entanto, erosões antrópicas de origem hídrica geradas pela chuva, são mais comuns no meio rural, sendo assim, vamos entendê-la melhor. De acordo com o seu estagio de evolução podemos classificar a Erosão Hídrica em em: Erosão laminar, erosão em sulco e voçoroca.
A erosão superficial surge do escoamento da água que não se infiltra. Ela está associada ao transporte das partículas ou agregados que são desprendidos do maciço pelo impacto das gotas da chuva ou arrancados pela força atrativa desenvolvida entre a água e o solo. A densidade, bem como a velocidade do escoamento, a espessura da lâmina d’água e, principalmente, a inclinação da vertente do relevo vão influir diretamente no poder erosivo da água e sua capacidade de transporte.
Praticas da agricultura convencional como o revolvimento do solo antes do cultivo desagrega-o, facilitando o carregamento dos minerais pela água das chuvas. A perda de milhares de toneladas de solo agricultável todos os anos, em consequência da erosão, é um dos mais graves problemas enfrentados pela economia agrícola. O processo de formação de novos solos, como resultado do intemperismo das rochas, é extremamente lento, daí a gravidade do problema. É importante entendermos que  toda atividade agrícola favorece o processo erosivo, mas algumas culturas facilitam-no mais que outras.




COMO EVITAR A EROSÃO

Alguns cuidados devem ser tomados para que a Erosão não ocorra:

- Em áreas muito declivosas o plantio pode ser feito em curvas de nível e terraceamento;
- Plantações que necessitam de arações anualmente devem ser cultivadas em áreas planas;
- Durante a capinação, a planta deve ser roçada e jamais arrancada do solo, que deverá ficar coberto por uma vegetação morta, que servirá de proteção ao solo;
- A rotação de cultura é um importante processo que previne a erosão;
- As máquinas agrícolas devem ser utilizadas de maneira consciente, sem exageros, pois quando usadas de maneira inadequada facilitam o processo erosivo;
- Cultivar gramas nos taludes das estradas também ajuda a evitar a erosão.



Fontes:

CAMAPUM de CARVALHO, J.C., et al.. Processos Erosivos no Centro Oeste Brasileiro. Editora FINATEC, 2006.

 http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/meio-ambiente-solo/erosao-5.php#ixzz1vS4vZnTl


Planejamento de um Sistema de Rotação de Culturas


A escolha de um melhor sistema para um sistema de rotação de culturas deve levar em conta o principal objetivo da propriedade.

Se o objetivo é a cobertura do solo e suprimento inicial da palha devem ser usadas espécies que produzam bastante massa seca e que sejam de decomposição mais lenta.

Deve-se considerar também o preço das sementes para compra e o preço para venda dos grãos. Terá de ser considerado também o ciclo e hábito de organismos causadores de doenças se o objetivo for a minimização de doenças.

 

Exemplos de sucessões:

 

- Aveia preta - Milheto - Soja (para produção de palha).

 

- Aveia - Soja - Nabo forrageiro - Milho (para elevada reciclagem de nutrientes K e N para o milho).

 

- Rotação Soja-soja-milho ou soja (2/3) e milho (1/3) (para controle de doenças na soja).

 

- Nabo forrageiro-milheto na primavera - Soja (boa descompactação superficial do solo, alta produção de palha reciclagem de potássio e controle de invasoras).

 

- Soja-girassol safrinha - Milho (bom para produtividade do milho e estruturação do solo).

 

 

Referência:

Tecnologias de Produção de Soja Região Central do Brasil 2004 Disponível em: http://www.cnpso.embrapa.br/producaosoja/manejo.htm